sábado, 26 de março de 2011

E EU TE AMEI UM DIA...

Eu eu te amei um dia... E achei que seria para sempre...

Contigo conheci o melhor e o pior da vida... Vivi um Grande AMOR... a maior paixão... e vivi a pior das dores... A dor da perda, a dor da rejeição, a dor do descrédito...

Contigo descobri e aprendi a AMAR, porque amei pela primeira vez, com certeza, em minha vida... Tudo que veio antes foi um prefácio para um sentimento de verdade, que, hoje sei, pode realmente ser SUBLIME...!! Eu era o "teu ursão"... e tu eras a "minha ninfa"...!


"O ursão e a nin..."
 
E eu te amei... E te descobri... E me apaixonei... Te AMEI tanto que até coloquei erroneamente em ti, por tu existir, por eu te ter, uma grande parte de "responsabilidade" por MINHA felicidade, por uma mudança que na verdade só poderia ser de MINHA mesmo... E não tua... Achei que poderia ser e serías um "gatilho", onde eu mudaria e conseguiria TUDO a partir do momento que tinha meu amor e que nos amávamos...! Errei nisso... Mas quem não erra?

Contigo descobri (ou redescobri) o grande prazer da vida a dois... Vi que eu não estava assim tão "traumatizado", que pensava que NUNCA iria querer casar de novo...! E te convidei pra CASAR comigo, pra viver comigo, pq eu apostava no nosso amor, no meu sentimento, naquela paixão, e sentia tua recíproca... Se não sentisse, jamais iria tão longe...! E assim te trouxe para morar comigo, compartilhar minha casa, minha família mais imediata, minha mãe e minha filha...!!

Reaprendi que CASAR é bom, quando se ama, quando se está apaixonado, quando se tem carinho, olhar, pele, química, desejo, tesão...! Pra nós, mudei minha caminha de solteiro para uma de casal (a "nossa" cama), para deixarmos de dormir no meu colchão de solteiro, no chão, onde, mesmo assim, tivemos longas noites de amor e paixão ardente...!

Começamos a MONTAR nossa vida juntos...! E foi tão boa a vida que tivemos, cada coisa conquistada, nossa intimidade, nossos mimos, nossos carinhos... Ah, as nossas coisas...

Os "bom dia, môre" a cada acordar... nossos olhares... Os cafés, cheios de detalhos só nossos, risos, beijos... Os pãezinhos com patê de ervas finas e requeijão... Teus lambuzos, tuas coisas "estabanadas"... Meus "guardanapos, guardanapos, guardanapos"... Tudo era detalhe para brincarmos, rimos, pegarmos no pé um do outro... Tão bom...! E tínhamos nosso sonho de um cantinho só pra nós... Um futuro...Como o que um dia te desenhei, justamente num guardanapo, em um barzinho qualquer, repleto de sorrisos e beijos...

"A vida é aquilo que a gente imagina!"

Até as brigas, tuas "vestições de calça", onde sempre lutei para te segurar, nos momentos mais enciumados e "irados", e consegui "domar" essa ferinha que tens dentro de ti...!! Te fazendo ver que nosso AMOR valia a pena, que eu estava disposto a lutar por ti, brigar por ti, não te perder...

Também te deixei livre um dia de chuva que brigamos e tu quis ir embora... Te deixei, pq AMOR também é libertar, é deixar livre, para cada um se acordar para o próprio amor...! E fiquei na sacada te olhando partir, enquanto te ias e olhavas, eventualmente, para trás... E notei que tu parava, como que dizendo "devo ir...?" e eu te fiz sinal com o braço "volta"... E tu voltou, e choramos, e nos abraçamos e seguimos lutando por nós e nos amando...

Ainda assim, tivemos momentos memoráveis, sozinhos, com amigos, rindo, sendo felizes, dançando... Ah, e como era bom quando dançávamos...!! Mesmo eu com minhas dores nos joelhos tentava "me superar" (e gostava, claro!!) para te dar a alegria destes momentos, que eu sabia que aquilo te fazia bem, tu gostava...!! Dançávamos, sorríamos, éramos felizes...!

Nunca amei tanto alguém como a ti... Nunca fui tão feliz, e até mesmo com brigas (coisa casual, de qualquer casal) ainda assim sempre arranjávamos um jeito de fazer as pazes, nos abraçar e recomeçar, com a certeza do AMOR que nos unia...! Um amor lindo, forte, vívido como o sangue quente que corre em nossa veias...!

Eu acordava contigo e quantas vezes eu te levava cedinho ao teu trabalho, vendo o sol nascer, bater em nosso rosto e pensando no quanto aquilo nos fazia felizes...! Em teus plantões, onde eu ia te buscar na volta, cansada, para te acarinhar, ouvir as agruras que passavas no trabalho... Mesmo assim, noutros tantos momentos eu falhava em te dar a atenção que me pedias, ou lutar com o afinco necessário... Eu acertava em algumas coisas, errava em outras... Inflizmente sou apenas humano... E erro.

Então, um dia, a situação familiar começou a pesar até ficar insustentável... Tu já não vias nem aceitava nossa casa, como "nossa casa", como TUA casa também... E começastes a te recolher, a te reservar mais... Fazer menos e menos... Até um ponto onde a única saída seria sairmos daqui e buscarmos uma vida nossa, em outra casa, outro apartamento.



Nosso canto, nossa sacada, nossas coisas... Tantas coisas...!!
 E buscamos... mas empacamos nas dificuldades burocráticas, grana... Eu também não me sentia muito a vontade de deixar minha velha mãe, de 84 anos sozinha... Talvez até sim, mas, mesmo assim, não seria muito correto deixar uma mãe de 84 anos ao "Deus dará", a esta altura da vida... E a tensão de tudo isso acabou te levando a sair de nossa casa, para ir morar, provisoriamente, na casa de uma amiga... Ainda queríamos ter nosso canto... Mas tudo foi ficando para trás...

Começamos a perder nossa intimidade, nossos momentos, nosso dormir e acordar juntos... Mas nosso amor ainda existia e era forte...! Mas também começamos a brigar mais e tu a querer mais ações de minha parte... Ações que, mesmo eu querendo, que mesmo necessárias, eu não conseguia ter ou fazer... Estava travado, cego, preso e errando... Acreditando estar certo.

Te deixei triste, te deixei sozinha... Estávamos começando nosso "inferno astral" mas eu não sabia... E muito menos sabia até onde isso levaria... De alguma forma eu acreditava que algo poderia mudar, dar certo, sei lá... E começei a te perder, mesmo que ainda nos amássemos e tentássemos acreditar que daria certo...

Nunca vou esquecer também que graças a ti, à tua constante insistência, trocamos de carro. O velho Uno, calejado e debutante, por um novíssimo Fox zerinho...! NOSSO CARRO!! E antes de nosso ocaso, um dia já com o novo "bichinho", peguei a família de surpresa, mãe, filha, e levei todos numa viagenzinha a Gramado (que tu querias tanto ir), num domingo viajando... Tudo bem que foi uma viagem meio tensa, mas também foi  algo de bom, em vários momentos... Pena que não conseguimos repetir, só nós, outra vez, nem pra lá, nem para qualquer outro lugar...

Hoje tenho o carro, novo, mas não mais o prazer de dirigir contigo ao meu lado, de olhar no teu olho, de pegar tua mão... De sentir o sol da manhã ou a luz da lua contigo...




A muito tempo que ando... nas ruas de um Porto não muito Alegre...

Passamos nosso último mês juntos com a festa surpresa de meu aniversário, que me levou às lágrimas... Natal e Ano Novo... Ano Novo que trouxe o início de nossa separação e os meses mais duros e terríveis que viriam pra mim... O tormento de te ver cada vez mais distante... As idas e vindas, ainda cheias de amor, tesão e cumplicidade... Mas ao mesmo tempo não mais tão cheias de carinho e atenção e sim tensão e desconfianças...

E lentamente fostes saíndo de mim, até acreditar que não mais me querias, não mais me amavas, não mais eu servia... Eu, aceitava, descrédulo, o que querias, mesmo internamente querendo o reverso, mas, ainda cego, ainda doente, não conseguia lutar contra meu próprio orgulho, minha próprias travas, que muitas e muitas vezes me impediam não só de ir à luta, mas também de ir até ti e te tomar de volta pra mim...

E então, nos perdemos. Triste e irreversivelmente... Ao menos para ti... Porque eu - sempre me lembrarei disso - sofri e te odiei ao reverso, tanto que percebi que minha revolta por não te ter era, justamente, porque TE AMAVA...! E tentei te chamar de volta, te reconquistar... Mal sabia eu o quão atrasado eu estava... E por mais que eu tentasse, por mais que eu dissesse, por mais que eu ligasse, e te mandasse mensagens... Fugias de mim...

Era tarde. Teu amor havia morrido. Dado lugar a outro sentimento... Uma certeza que não valia mais a pena lutar... Uma certeza de que eu não mudaria... Uma certeza de que eu não valia mais a pena... Amor ferido. Amor quebrado. Amortecido...


O Sol se põe rápido demais para que se aprecie toda a sua beleza...

E então, em meio a tudo isso, lentamente (ou subitamente), deixastes outra pessoa tomar meu lugar...!Quando eu soube eu não acreditei... E chorei - confesso - e esbraveci, e chinguei... E isso te deixou com mais ira de mim... Mas de qualquer forma, nada adiantaria... Era tarde demais... EU já tinha te perdido para mim mesmo...!!!

E mesmo lutando, mesmo indo ao teu encontro, sem dormir, mesmo peitando aquele que se tornou meu algoz e meu nêmesis maior, tu não mais eras minha... Teu corpo, tua boca, tua mente... Não mais... Agora já tinhas "namorado"... E eu era uma triste sombra de um passado que não deu certo... Um passado que começou bonito, que tu insistiu em dizer que era uma "linda história"... Mas uma história morta, não obstante...

E eu lutei, e eu fiz cenas que Nelson Rodrigues aplaudiria, e eu me tornei uma chaga para ti e para mim mesmo... Eu joguei todas as fichas, mandei flores, tentei te fazer ver o meu AMOR... Mesmo com o orgulho masculindo ferido... tudo... Eu te queria de volta... Porque tinha certeza do meu AMOR MAIOR... bem maior e mais importante que um namorico, que uma história estéril e sem vida, criada apenas para ocupar a lacuna que eu deixei na tua vida...

E em todas, todas, todas, todas as instâncias, recusastes o meu amor... Em todas as conversas, nunca mais acreditastes em mim, até porquê já estavas "mentalmente programada" a não mais me querer... A já ter "namorado"... E de repente TUDO se tornou mais importante do que eu, do que meu amor, do que nossa história...

E eu continuei tentando, te provando que o choque era tanto que me fizera cair na triste realidade... Na realidade de que, realmente, eu não tinha como te bancar, te oferecer uma vida, te fazer acreditar, de novo, que poderia valer a pena... E quanto mais eu me aproximava, mais eu te afastava e te repelia, numa triste dança macabra e reversa...

Exaurido de todas as forças, cansado de todas as palavras, entristecido por todo o desgaste, por falar de AMOR e ouvir só repulsa, então, cansei... Desisti... Percebi que já tinha ido o mais baixo que o mais baixo dos homens poderia ir... E ainda que no fundo do fundo do poço era como seu eu tentasse cavar com as próprias unhas a pedra sólida deste fundo... Mas não havia mais onde descer... Não há... Eu fiz tudo que podia...

Tua certeza e desamor foi maior... Te perdi por meus próprios méritos. E hoje desisti de tudo mais que acreditava poder reverter... Não acredito mais... Mas sentimento é sentimento... AMOR é AMOR... E eu vou te amar por muito tempo... Vou te amar calado, até tu esmaecer e voar da minha mente como a última nota musical de uma sinfonia triste...



Olhos que não vejo mais... Hoje vejo que não olhei bastante....
Cego, eu era...
 Eu vivi muita, mas MUITA, coisa boa contigo... Da minha maneira, eu LUTEI por ti e por nós... Talvez não tenha lutado TUDO que podia ou que deveria -- reconheço que pequei... Certamente eu deveria ter me puxado mais, amado mais, brigado mais, ido mais à luta ANTES, em busca de um sonho que era, sim NOSSO...

Vou te amar por tudo que tu és e tudo que tu foi, e tudo que ainda vai representar na minha vida, na minha mente e no meu coração... Sim, porque nada disso se esvai assim tão fácil... E principalmente porque com tua perda, eu acordei... Acordei para meus próprios erros, para minha própria inanição, inatividade...

Hoje eu mudei... HOJE eu estou correndo atrás... HOJE...

HOJE já é tarde demais para nós...

Te perdi... Para sempre...

Ou não...?

Buzz
(MSC)

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